Prever o futuro

Há quem esteja convencido que o futuro não é previsível, e há quem gaste rios de dinheiro com cartomantes, astrólogos, leitura das palmas das mãos, leitura das folhas do chá, leitura de horóscopos entre outros, só para saber o que lhe vai acontecer no futuro próximo.

Tanto uns como os outros estão enganados. O futuro é previsível (ai de nós se não fosse), e as melhores previsões são geralmente gratuitas.

Ora vejamos: uma das características básicas para a nossa sobrevivência é exactamente a nossa capacidade para prever o futuro. Se eu não for capaz de prever o que me acontece ao atravessar a segunda circular à hora de ponta de olhos fechados, a minha possibilidade de sobrevivência será drasticamente reduzida. A opção de não o fazer não resulta de uma consulta ao meu horóscopo nem da aquisição de um mapa astrológico, mas sim de uma previsão lógica baseada em dados adquiridos pela experiência da vida. Nem sequer preciso de ser muito inteligente para chergar a esta conclusão, basta me lembrar do que os meus pais me ensinaram quando eu era pequena. Isto, claro, é outra das nossas capacidades inatas: aprender com os outros e não só através da experiência pessoal (o que também não abonaria a favor da espécie no caso da segunda circular).

Agora vamos ao menos óbvio e mais mundano. Se eu combinar com a minha prima que vive na Suiça encontrar-me com ela em Paris no dia tal e no hotel tal às tantas horas, ambas teremos de ser capazes de fazer uma data de previsões senão nunca mais nos veríamos: temos de prever as nossas férias, a nossa capacidade financeira, o meio de transporte mais adequado, o horário do mesmo, o precurso a fazer de casa ao aeroporto , o tempo, (se eu viver no Brasil a roupa de verão talvez não seja adequada para Paris no inverno), etc., etc., etc. Considerando que ganho um ordenado médio, o meu orçamento para esta viagem irá ser um pouco apertado, mas se tuodo correr como previsto, perfeitamente viável.

Suponhamos agora que teria que pagar a um astrólogo para me fazer estas previsões. Além de me saír mais caro, acham mesmo que uma carta astrológica me iria dar informações mais precisas sobre o meu futuro do que a minha conta bancária, as tabelas de preços dos hoteis e das agências de viagem, os horários dos transportes públicos e dos transportes aéreos e o boletim meteorológico?

As previsões do futuro existem no nosso dia a dia, constantemente, nas mais pequenas decisões, como por exemplo o que vou comprar para o jantar, até às decisões de importância nacional, como por exemplo colocar mais polícia nas estradas durante os feriados de Natal. Neste último caso, quem fez a previsão do futuro foi uma ciência chamada estatística, que infelizmente raramente se engana ao prever mais acidentes nas estradas em épocas festivas. No dia em que um político qualquer se lembrar de lançar as runas para decidir que não vale a pena preparar os hospitais para um número elevado de urgências nestas alturas, eu mudo de planeta.

Está claro que ainda há gente que joge na lotaria, na espectativa de ganhar, ao mesmo tempo que conduz o seu carro todos os dias, na espectativa de não ter um acidente, apesar de a probabilidade de morrer na estrada é muito maior do que a de ser o único finalista da lotaria. Talvez esteja a seguir o conselho de algum astrólogo…

Karin Krippahl


 

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